Perenidade e cuidado com as pessoas: o que sustenta uma parceria duradoura?

Depois de 22 anos de relação entre Apetit e Tamarana Metais, uma pergunta continua atual: o que faz duas empresas seguirem construindo juntas mesmo quando mudam as pessoas, os desafios e o próprio negócio?

Quando penso em uma parceria de 22 anos, não penso primeiro no tempo. Eu penso em tudo o que precisou acontecer para que essa relação continuasse fazendo sentido ao longo dele.

Empresas mudam. As pessoas mudam. Surgem novas lideranças, novas necessidades, outros cenários econômicos, tecnologias e expectativas. Por isso, uma relação que atravessa mais de duas décadas não pode depender apenas de um contrato bem construído ou de uma sequência de bons resultados. Essa relação precisa conseguir evoluir.

Foi justamente essa reflexão que atravessou a conversa que tive com Maurício Chiesa Carvalho, Head de Recursos Humanos, Jurídico e ESG da Tamarana Tecnologia Ambiental, em um webinar que realizamos durante o mês em que a Apetit celebrou seus 37 anos.

A Tamarana faz parte de boa parte dessa história. São mais de duas décadas de uma relação construída entre empresas que, naturalmente, também acertaram, erraram, mudaram e aprenderam ao longo do caminho.

Pensando em todo esse caminho percorrido, talvez seja justamente aí que esteja uma das primeiras respostas para a pergunta que dá título a este artigo.

Confiança não é acreditar que o outro nunca vai errar

Em determinado momento da nossa conversa, Mauricio disse algo que considero importante: nenhuma empresa é perfeita. Parece óbvio, mas muitas vezes construímos relações empresariais esperando uma espécie de perfeição permanente. O fornecedor não pode falhar. O cliente não pode mudar. O parceiro precisa sempre corresponder exatamente ao que esperamos.

No entanto, a vida real das empresas não funciona assim. Aliás, nem a nossa vida funciona assim. Ao longo de 22 anos, tivemos cobranças, ajustes, processos que precisaram ser revistos e situações que exigiram resposta dos dois lados. Mauricio resumiu muito bem essa experiência ao dizer que o que define uma relação de confiança não é apenas o acerto, mas a maneira como cada parte se posiciona quando existe um desvio.

Na Apetit Serviços de Alimentação, repetimos uma frase que traduz bastante aquilo em que acredito: O problema não é errar. É como você lida com o erro.

Como você responde? O que aprende? O que muda depois? Como aquele problema alimenta o conhecimento da organização e evita que a mesma situação volte a acontecer?

É nessa resposta que a confiança deixa de ser uma palavra bonita e começa a se transformar em credibilidade.

Relações duradouras precisam de transparência

Mais perto do fim da conversa, recebemos uma pergunta do público sobre os aprendizados construídos no decorrer desses 22 anos.

Mauricio respondeu falando em “cartas na mesa muito claras” e confiança.

Gostei muito dessa expressão porque uma parceria madura não é aquela em que ninguém cobra ninguém. É justamente o contrário. Existem indicadores, compromissos, conversas desconfortáveis, processos, auditorias e expectativas dos dois lados.

O que muda é a capacidade de tratar tudo isso de maneira objetiva, sem transformar cada dificuldade em uma disputa para descobrir quem perdeu e quem ganhou.

Mauricio resumiu isso de uma forma que ficou comigo: “Acertamos juntos, erramos juntos, conferimos, corrigimos e, se precisar, damos as mãos”.

Uma relação empresarial começa a amadurecer quando o resultado deixa de ser apenas “meu” ou “seu” e passa a existir uma compreensão genuína de que determinadas construções dependem dos dois lados.

Valores aparecem principalmente quando são colocados à prova

Outro ponto que atravessou nossa conversa foi a diferença entre aquilo que uma empresa declara e aquilo que realmente pratica.

Em determinado momento, eu disse que “não é o que a gente fala, é o que a gente faz”. Mauricio respondeu com outra frase muito simples: “Prioridade se negocia, valor não”. E eu tenho pensado bastante sobre isso.

Valores são relativamente fáceis de defender quando todas as circunstâncias são favoráveis.

Mas o que acontece quando manter determinado compromisso custa mais? Quando precisamos rever uma decisão? Quando existe pressão por prazo, resultado ou orçamento?

É nesses momentos que parceiros, clientes, colaboradores e o próprio mercado começam a entender o que realmente orienta uma organização. E que isso também constrói relações duradouras.

As pequenas escolhas também constroem cultura

Nossa conversa passou ainda por liderança, saúde psicossocial, segurança psicológica, governança e gestão de pessoas.

Em um desses momentos, trouxe um exemplo muito cotidiano, que gostaria de repetir aqui neste artigo.

Imagine receber, às 17h55 de uma sexta-feira, uma mensagem dizendo apenas: “Precisamos conversar na segunda-feira”.

Não importa se ela vem de um colaborador para o gestor ou do gestor para o colaborador. A falta de contexto pode ser suficiente para criar dois dias inteiros de preocupação. Às vezes, uma frase a mais poderia evitar tudo isso.

Para mim, esse exemplo mostra que cultura e cuidado não são construídos apenas em grandes programas corporativos. Eles também estão na forma como escolhemos nos comunicar, nas informações que compartilhamos e na maneira como tratamos as pessoas nas situações aparentemente pequenas do cotidiano.

Quando o restaurante também passa a fazer parte da relação

Existe ainda uma dimensão dessa conversa que está diretamente ligada ao trabalho que fazemos na Apetit.

Quando uma empresa terceiriza seu restaurante corporativo, ela está escolhendo um especialista para assumir uma operação que não faz parte do seu core business. Mas uma boa parceria pode ir além da prestação do serviço.

Durante o webinar, comentei que, quando existe envolvimento dentro da proposta de valor, o restaurante pode extrapolar o alimento. Pode se tornar espaço de reconhecimento, celebração, engajamento, comunicação e construção da experiência das pessoas dentro da empresa.

Talvez seja por isso que, depois de 22 anos, a relação com a Tamarana continue sendo tão interessante para nós. Ela mostra que parcerias duradouras não são construídas porque nada muda. São construídas justamente porque existe maturidade para mudar, conversar, corrigir, cobrar, confiar e continuar evoluindo juntos.

Uma conversa que vale a pena continuar

Essas foram apenas algumas das reflexões do encontro. Também falamos sobre autonomia para tomada de decisão, desenvolvimento de lideranças, segurança psicológica, sucessão, governança, ESG e sobre como encontrar sentido naquilo que fazemos.

É uma conversa que parte da experiência da Apetit e da Tamarana, mas que acredito poder provocar reflexões em qualquer pessoa que lidera equipes, constrói relações profissionais ou toma decisões dentro de uma organização.

Se algum desses temas também faz parte dos seus desafios, fica o meu convite para assistir ao webinar completo no canal do YouTube da Apetit.

Porque talvez a pergunta não seja apenas quanto tempo uma parceria consegue durar, mas o que fazemos todos os dias para que ela continue valendo a pena.

ASSISTA AO WEBINAR COMPLETO: Empresas longevas são empresas que cuidam: liderança, saúde psicossocial e ESG na prática

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